Descrição
Este é um trabalho final de curso que investiga a relação intrínseca entre a produção cultural e a participação política dos indivíduos. A problemática central questiona se aqueles que cantam e creem não participam e lutam, e se aqueles que lutam e participam não creem e cantam. A hipótese básica define a cultura como uma forma de resistência e transformação social, explorando a conexão entre os movimentos populares de cultura e a construção de uma nova ordem social, que respeite os valores das comunidades, o saber, o sentir e o fazer de cada indivíduo e grupo.
• O trabalho resume textos como "Repensando a Cultura" de Carlos Rodrigues Brandão, que critica a documentação de ritos e festas camponesas sem considerar a dor e a luta dos oprimidos, e "Cultura: A Concretização dos Desejos" de Paulo César Botas, que aborda a cultura "revolucionária" dos anos 60 e a resistência cultural através das festas populares contra a folclorização do governo militar nos anos 70.
• Além disso, uma parte significativa detalha a pesquisa de Frei Chico (Frei Francisco Van Der Poel) no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, iniciada em 1967. Essa pesquisa, vasta em material coletado, buscou compreender a cultura e religião distintas do povo local para melhor servi-los. A conclusão de que "CULTURA É VIDA" e que a "folclorização" é uma forma de "ficcionalização" é enfatizada. O documento também discute a alienação cultural como um problema grave que leva à perda de identidade e criatividade, facilitando a dominação. Propõe uma promoção cultural democrática que valorize o que o povo já possui, ilustrando com anedotas que demonstram o respeito e o incentivo ao saber popular e à criatividade artesanal.